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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A hospedeira


Sinopse

“Melanie Stryder se recusa a desaparecer. Nosso planeta foi dominado por um inimigo que não pode ser detectado. Os humanos se tornaram hospedeiros dos invasores: suas mentes são extraídas, enquanto seus corpos permanecem intactos e prosseguem suas vidas aparentemente sem alteração. A maior parte da humanidade sucumbiu a tal processo.

Quando Melanie, um dos humanos “selvagens” que ainda restam, é capturada, ela tem certeza de que será seu fim. Peregrina, a “alma” invasora designada para o corpo de Melanie, foi alertada sobre os desafios de viver dentro de um ser humano: as emoções irresistíveis, o excesso de sensações, a persistência das lembranças e das memórias vívidas. Mas há uma dificuldade que Peregrina não esperava: a antiga ocupante de seu corpo se recusa a desistir da posse de sua mente”.

O livro

Particularmente achei o livro ótimo. Começa meio lento, mas depois ganha ritmo – isso não quer dizer que tenha ação - e quando você percebe não quer mais largar, pelo menos foi assim comigo. A autora conseguiu, apesar do tema confuso, fazer o livro ficar gostoso de ler.

O livro, uma ficção científica, é narrado em primeira pessoa, o que nos dá só um ponto de vista. Ou melhor, dois, o da Melanie e o da Peregrina. Nos faz pensar sobre o que poderíamos fazer para tornar o mundo um lugar melhor para se viver, por meio da forma como mostra a convivência pacífica entre os invasores. Mas, o que mais me chamou atenção é que faz refletir sobre o que é ser humano. Só essa reflexão já vale a leitura, na minha humilde opinião.

O filme

O filme é bom, se for desconsiderado o fato de que é uma adaptação do livro. “Ah, mas é uma adaptação, não tem que ser igual!” Tá certo! Mas precisa pelo menos manter a essência.

Quem assistiu só ao filme, pode até ter achado o filme bom, mas com certeza, como em muitos outros casos de livros que viraram filme, perdeu grande parte do conteúdo. No livro, a história é bem mais complexa, instigante e reflexiva.

A fim de prender o público, algumas cenas de ação, que não havia no livro, foram inseridas. Pra mim, mais um ponto negativo. O ponto positivo do filme é a trilha sonora. Mais especificamente a música Radioctive, da banda Imagine Dragons. Enfim, não é ótimo, mas vale a diversão, desde que você esteja disposto a prestar atenção.

Diz a lenda que a autora pretende dar continuidade a história com The Seeker (A buscadora) e The Soul (A Alma). Vamos aguardar!

Trailer




Para ouvir a música, clique aqui.

Assista o filme completo no Youtube.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A menina que roubava livros, o filme

Liesel, Rudy, Hans, Rosa e Max estão de volta! Mas dessa vez em uma produção cinematográfica. A Intrínseca, editora do livro publicou em seu site as primeiras imagens do filme.



Meu olho brilhou e me enchi de alegria e receio. Alegria porque a história mais encantadora que eu já li vai virar filme e receio porque a história mais encantadora que eu já li vai virar filme. Considerando que depois de oito meses voltei a escrever no blog, dá para ter uma ideia do quanto eu sou apaixonada pelo livro né?

A estreia está prevista para novembro nos Estados Unidos, já no Brasil, parece que só em 2014. O filme, dirigido por Brian Percival tem Sophie Nélisse interpretando a inesquecível Liesel, Geoffrey Rush como Hans e Emily Watson como Rosa. A matéria da Intrínseca não informou os intérpretes de Rudy e Max, muito menos explicou de que forma a morte, narradora da história, aparecerá no filme.

Conforme notícia publicada pela Editora Intrínseca, Markus Zusak visitou os estúdios Babelsberg, em Berlim e destacou quatro pequenos fatos sobre as filmagens: “1 – O elenco foi brilhante. 2 – Michael Petroni deu tudo de si no roteiro, que foi escrito com o amor e a coragem necessários para tomar as decisões difíceis. 3 – A Himmel Street realmente é a cara da Europa; tem a aparência e a sensação exatas. 4 – Brian Percival é claramente o diretor mais amado do mundo. O autor afirmou ainda que “não importa quão diferente o filme fique do livro, eles terão o mesmo sentimento”.

Espero, sinceramente, que a doçura das palavras de Markus Zusak possa ser transmitida no filme. Então, quem sabe, as pessoas que nunca leram possam ter noção do quão fascinante é o livro.

Com vocês, as primeiras imagens:








Quer saber mais sobre A Menina que Roubava Livros? Clique aqui.

Quer assistir um vídeo baseado no livro, criado por Jon Haller e ganhador do Teen Book Vídeo de 2006? Clique aqui.

Até breve.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Tudo tem um por que


Não sei ao certo a idade que eu tinha, mas era no tempo em que eu adorava ajudar a minha mãe a fazer bolo. Há muito tempo.

Minha mãe preparava uma afro descente esquizofrênica, popularmente conhecida como nega maluca, e pediu que eu untasse a forma. Fui até o fogão, peguei as formas e as engraxei como eu costumava dizer. O fogão era daqueles antigos. Duas portas, uma onde se guardava as formas na parte debaixo, e duas asinhas do lado, quem já teve ou conhece alguém que ainda tem sabe como é. Moderníssimo e azul, para combinar com a geladeira vermelha.

Formas engraxadas e nega maluca pronta, hora de colocar no forno. Ao fazer isso minha mãe percebeu que tinha algo estranho dentro do fogão engalhado na grade por onde saia o fogo, mas achou que fosse uma lagartixa e acreditando que ela logo sairia dali por causa do calor, não deu bola.

Passado alguns minutos um cheiro forte tomou conta da cozinha. Pensando que era a pobre afro torrando, minha mãe foi ver o bolo. Ao reparar que a culpa não era da nega, e sim da suposta lagartixa, que ainda não tinha fugido, minha mãe pegou uma faca e começou a raspar a suposta lagartixa a fim de fazê-la cair. Nada!
Sem sucesso, minha mãe decidiu abrir a porta debaixo, onde ficavam as formas. Então, uma surpresa. Uma cobra!

Não preciso dizer porque não tem
 foto de cobra  no post né?
Literalmente com fogo no facho, a bichana não parava quieta. Depois do susto inicial, minha mãe super poderosa pegou uma vassoura e acabou com a raça da bicha. Para que ninguém duvidasse que tinha uma cobra no nosso fogão, minha mãe ainda se deu ao trabalho de colocar a bicha dentro de uma forma e levou para o vizinho - conhecedor de cobras diz ela -. Era só uma jararaca.

Depois daquele dia, antes de tomar banho, dormir, sentar e coisas do tipo, eu fazia uma varredura. Demorou pra eu me convencer de que não iria acontecer de novo. E essa é a história de como eu adquiri um medo fora do normal de cobras. Desde então eu evito andar no meio do mato e não vejo fotos ou vídeos em que as danadas apareçam, pelo menos não por vontade própria. Mas sempre tem um filho de uma boa mãe que insisti em me assustar com isso.

Não pensem que é frescura. Sério, é apavorante e não tem graça. Eu costumo rir depois que alguém me assusta por causa disso, mas o riso não é de graça, é de nervoso. Vou parar por aqui porque já está me dando um formigamento no pé.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Favor, discrição e constrangimento


Há alguns dias recebi uma ligação: “Líz, preciso da tua ajuda”, disse minha amiga quase desesperada. Ela queria mandar um arranjo de flores e outras coisinhas fofas para a namorada, mas como não mora na mesma cidade que a dita cuja, não estava conseguindo ter êxito. Tratei então de perguntar o que exatamente ela queria e meti a mão na massa. Ou melhor, no telefone.
Depois de algumas ligações, retornei para a minha amiga dando a ela opções. Depois de bater o martelo, ela me mandou uma mensagem com o que queria que estivesse no cartão. Eu poderia me apaixonar por ela não fosse a minha relutância. Mas, ler a declaração foi o de menos. Lindo mesmo foi eu ditando para a moça da floricultura os dizeres do cartão: “Você deu um novo sentido à minha vida. Com saudades e muito carinho do seu amor. Te amo. Parabéns pelo nosso dia minha vida!”
Detalhe: os meus colegas de trabalho podem claramente me ouvir falar ao telefone. Tentei amenizar o constrangimento rindo, mas não surtiu muito efeito. Passado o constrangimento de ter me declarado para a moça da floricultura – do ponto de vista dos meus colegas -, pedi que fossem até o meu local de trabalho fazer a cobrança, já que eu não poderia sair. O.K!
Logo que vi a moça, com um arranjo de rosas vermelhas na mão, tratei de descer e concluir o favor de forma discreta. Não foi possível, já que comentários como “Uhm, que lindo”, já me rodeavam. Recebi a nota e paguei. Tudo ia bem, até que a moça resolveu mostrar o quanto sabe ser discreta.
(Não sei se com vocês é assim, mas toda vez que algo constrangedor está para acontecer comigo o mundo para de girar e eu viro o centro das atenções ou todo mundo fica quieto para ouvir a besteira que sairá da minha boca).
“É para entregar para a Fulana na loja 1 ou na loja 2?”. 
Ahh... Como eu queria!
Como de costume o mundo parou de girar e todos os presentes olharam para mim. Respirei e com um sorriso forçado e uma vontade de fulminar ela com os olhos respondi, mas ela não se deu por contente. Ainda puxou assunto e falou o nome da Fulana mais umas três vezes. Quis garantir que todos os presentes tivessem ouvido, só pode!
Quando ela finalmente saiu pude perceber os olhares de “Como assim? Rosas vermelhas para a Maria?” Tentei agir com naturalidade e voltei ao meu trabalho, mas não consegui parar de rir da situação, e claro, não conseguia tirar da cabeça a ideia de matar a minha amiga, que ao me ouvir contar toda a situação só ria escandalosamente no celular.
Obs:
•    Mesmo após todo o constrangimento continuo fazendo favores. Não me importo de ajudar, mas, queridas amigas, vocês sabem que estou falando de vocês, não me metam em frias! 

•    Moças que fazem cobranças e entregas em floriculturas... Mesmo que o pedido seja o mais normal de todos, não digam em voz alta na frente de outras pessoas para quem e onde vão entregar a encomenda, pode ser que a pessoa queira discrição.
Obrigada!

Publicada no site Reeditando.com em 23 de novembro de 2012.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A bolacha, o futebol e o repositor


Delícia!
Se tem uma coisa que eu gosto muito é a tal da bolacha Passatempo. Sempre dedico uma parte do meu salário a ela. Uma parte pequena é claro. Bem pequena.  Pequeniníssima! O.K! Na maioria das vezes peço para a minha mãe comprar. Sempre peço, rindo, para que ela compre umas 14 - não sei por que motivos cismo com esse número -, na esperança de que ela realmente compre, mas ela sempre traz só quatro.

Quem me conhece sabe que outra coisa que gosto muito é de jogar futebol. Jogo sempre que posso, e às vezes até quando não posso. Faço isso desde que me entendo por gente. Outra coisa, que não sei se gosto, mas faço com muita frequência é dar conversa para pessoas pouco prováveis. O tiozinho que abastece as prateleiras do supermercado perto da minha casa, por exemplo.

Sei muito sobre a vida dele já, inclusive que ele tem um dedo “morto”. Culpa do futebol. É aí que os dois assuntos se unem. Mas você deve estar se perguntando: “o que a bolacha tem a ver com isso?” Eu explico.

Fui ao mercado que o tiozinho trabalha recentemente comprar, com o meu dinheiro, as minhas bolachas preferidas e o encontrei pintando as paredes do estabelecimento. Muito simpático ele me cumprimentou e me perguntou se eu estava jogando muito. Respondi que sim, e como não queria ser seca com o tão simpático repositor e pintor, resolvi continuar o papo. Foi então que eu me perdi.

O que saiu da minha boca jamais por mim será esquecido. “E aí, dando uma pintadinha?”

Minha vontade.
No segundo seguinte, quando percebi, desejei que Deus abrisse um buraco no chão onde eu pudesse me enfiar. Senti o vermelhão tomando conta do meu rosto. O tio só deu um risinho sem graça. Três opções: ele leu a minha mente e decidiu me poupar; desejou o mesmo que eu, ou não entendeu. O fato é que eu tratei de pegar logo minhas bolachas e sair do campo de visão dele.

Cheguei ao caixa rindo descontroladamente e fiz o caminho de casa do mesmo jeito. Quase não consegui me controlar para contar para minha mãe, que, por sua vez, quase não acreditou no que ouviu. Agora veja que ironia. Como eu poderia imaginar que uma tentativa de ser educada e duas das coisas que mais gosto iam se unir para me sacanear desse jeito?

Agora sempre que como a dita bolacha me lembro do episódio e as mastigo de forma vingativa. Quando vejo o tiozinho... Nem falo mais. Limito-me a sorrir, ainda que o sorriso saia amarelo.

*Publicado no site Reeditando.com em 15 de novembro de 2012.